Panteras Negras o Partido Movimento O Filme

Certamente você já ouviu falar algo a respeito dos Panteras Negras. Também citados como Black Panther Party ou BPP. O assunto ficou muito em evidência recentemente, com a morte do ator Chadwick Boseman que representou o personagem principal do filme “Pantera Negra” (2018), da Marvel/ Disney.


Filme  Pantera Negra.


Na trama, um príncipe africano, com habilidades sobre-humanas, inteligência e velocidade, viaja aos Estados Unidos tendo em seu encalço um conflito que arrisca a humanidade, e acaba por estabelecer ligação com os Vingadores Junto disso, os protestos e a campanha #blacklivesmatter (traduzido como #vidasnegrasimportam) se propagou por todo o planeta após assistirmos, estarrecidos, ao assassinato de George Floyd.


George Floyd


A revolta explodiu em proporções globais e as ruas foram tomadas por manifestações massivas. E mesmo com a onda de protestos repudiando o desfecho e cobrando atitude dos governos diante dos excessos abusos cometidos em abordagens policiais, ainda assim o Brasil foi palco de casos de violência institucionalizada.


Nas ruas, comunidades e até dentro de um famoso supermercado. Os esforços para abafar os ânimos parecem uma medida clichê. As pessoas começam a perceber que não se tratam de casos isolados, muito menos de fatalidades. O que ocorre é que se coloca uma pedra sobre a situação e a engrenagem segue.
Mas segue acumulando, e acumulando cada vez mais todas as consequências das medidas que não foram tomadas para estancar uma ferida que jorra há séculos. A necessidade de mudanças urge.





Os Panteras Negras da vida real surgiram como um partido político nos Estados Unidos, em 1966. Mais precisamente, na Califórnia, a partir da articulação de dois universitários negros, indignados com as injustiças cometidas e naturalizadas contra cidadãos afro-americanos.


Huey Newton e Bobby Seale articulavam a necessidade da ampliação de direitos e da preservação da vida negra. Queriam garantias de tratamento igualitário e Constitucional às pessoas negras, em face de constantes excessos brutalidades policiais e das autoridades em geral, e sua lógica eugenista.


Somadas a esta violação estrutural e governamental, as reações hostis de civis brancos também preponderava como resposta aos protestos negros durante a busca por direitos que envolvesse a comunidade.




Movimento organizado e ações 

 



A ideia era criar um movimento que resolvesse de uma vez por todas efetivar os direitos civis e o fim da hegemonia branca nos Estados Unidos. Era isso que se discutia. O discurso e a ideologia de não-violência, adotado por representantes de gerações passadas, ainda não desafogava a realidade vivida.


O povo preto estava cansado de constatar, na prática, que isso não impedia as atrocidades sociais. A resposta racista estava além da boa conduta, do esforço pessoal para se encaixar no sistema, da existência calculada para não “provocar” mais opressões.


Havia uma crença estratificada de que o negro promovia reações ruins ou merecidas, de acordo com algum tipo de mau comportamento ou por não estar devidamente ajustado, em algum grau, às normas sociais. Crença esta que buscava uma forma de alocar toda natureza de culpas nas vítimas. Mas o contrário nunca provocava reflexão.


O movimento entendia o modus operandi e a força coercitiva que mantinha o sistema estruturado para exercer o controle racial em benefício de supremacias. A extensão dos danos causados a toda uma etnia variava ao longo do espaço e tempo, e estava sempre colocando os grupos em extrema vulnerabilidade.



A liberdade condicionada à obediência irrestrita, a não-violência negociada pelo silêncio, a sensação de paz e inclusão não eram reais. O movimento entendia que os grilhões “invisíveis” causavam danos concretos. E que a resposta a isso deveria ser contundente e proporcional, libertando os negros de uma inferioridade “naturalizada”.


E para se proteger e combater isso era necessário se equipar também. O movimento defendia a transição da maneira passiva de responder a violência para uma maneira ativa.


A pregação de resiliência, paz e amor era uma bandeira bonita. Mas continuava ineficaz e já fora exaustivamente hasteada. Nem mesmo a obediência impedia os brancos de acharem motivos para despejar sua fúria, mesmo em quem se comportava. O direito à legítima defesa era uma necessidade, e se não fosse dado espontaneamente, seria exercido a partir do combate ativo e armado, inclusive. E isso gerou muita polêmica.






Com a ideologia alinhada à extrema-esquerda e contra o imperialismo americano, o partido organizou comunidades e passou a patrulhar as ações governamentais e as forças policiais em suas abordagens focadas. As lideranças dos Panteras criaram ações sociais e assistenciais dentro das comunidades negras: acesso à escola, alimentação e programas de saúde direcionados. Era uma forma de resgate.


A vestimenta dos Panteras Negras foi incrementada com viés de mensagem, e seu objetivo era criar uma identificação “militar”. Não era apenas uma ideia: boinas, jaquetas, calças e botas. Pretas. E acessórios de guerra. O recado estava dado.


Os cabelos naturais passaram a fazer parte da simbologia estética: o black power era mais do que um aceno a liberdade ou a “ousadia” de permitir a soltura do próprio cabelo. Passou a ser uma questão de manifesto político. Mais tarde o black power foi absorvido como “moda”, dividindo opiniões.


O partido encararia campanhas de oposição, boicotes orquestrados e repressão – incluindo ataques e confrontos físicos e assassinatos.


O governo investia fortemente em desarticular os grupos, criando o que conhecemos hoje como “fake news” a respeito das ações do grupo, criminalizando a estrutura por trás do movimento (o que era inclusive uma maneira bastante eficaz de mudar o foco das próprias improbidades) e buscando enfraquecer a adesão.

Também, é claro, promovendo uma poderosa oposição entre os exército de civis – o primeiro e mais “barato” nível de autocontenção social.


Tamanho o potencial de influência dos Panteras Negras – visto como uma ameaça à segurança nacional


que o FBI foi mobilizado para realizar diversas sabotagens e desqualificar a integração do grupo e o engajamento junto dele. Quaisquer menções públicas de simpatia ou apoio ao movimento passaram a ser punidas. Dois atletas negros, medalhistas para os EUA, foram banidos das olimpíadas do México em 1968 por realizarem um gesto da saudação do partido, conhecido como punho cerrado.





Tommie Smith E John Carlos

 



O movimento se encerrou em 1982, mas a luta ainda persiste. Nunca foi tão necessário educar as pessoas a respeito de ações reparadoras, a respeito de comportamentos e dinâmicas sociais excludentes.


Desconstruir o racismo em todas as suas equações ainda é um ideal, assim como dar voz a quem está inserido no assunto de forma protagonista.
 

Não por acaso, o tema está sendo abordado por uma produção americana que estreou nos cinemas do Brasil em fevereiro de 2021 e foi um dos indicados da cerimônia do Oscar em diversas categorias: de Melhor Filme, Melhor roteiro original e Melhor fotografia.


O filme em questão foi o vencedor nas categorias de Melhor canção original (com a canção Fight for you) e trouxe a estatueta de Melhor Ator Coadjuvante com Daniel Kaluuya.


 

Daniel Kaluuya  Foto: site GZH Cinema - Reprodução Chris Pizzello / POOL/AFP

 

O drama retrata, em pouco mais de duas horas, a história de como Bill O´Neal se infiltrou no Partido dos Panteras Negras e como sua atividade de espião culminou no assassinato de Fred Hampton, lider e ativista dos Direitos Humanos, em 1969. 

 

Estamos falando do filme Judas e o Messias Negro, sendo que Fred Hampton é interpretado por Daniel Kaluuya e Lakeith Standfield interpreta O´Neal. Um dos pontos altos da trajetória do movimento, e que merece destaque, é um apontamento feito pelas autoridades políticas, a respeito do líder Fred Hampton: ele era considerado uma ameaça à segurança nacional.



O filme oferece uma outra perspectiva a respeito do desmonte do partido, oferece outras impressões sobre seu líder, que foram recolhidas por meio da convivência bem próxima, pelo espião negro O´Neal. Paramos por aqui, pois não vamos dar spoiler a quem ainda não assistiu. Clica aqui para dar uma conferida no trailer e depois volta aqui pra nos contar o que achou!
 



https://www.imdb.com/title/tt9784798/


Fonte: Oscar 2021  Veja os vencedores
https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/oscar/2021/noticia/2021/04/25/oscar-2021-veja-vencedores.ghtml

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